Testemunho da nossa aluna Marta Santos.
Foi-me pedido um testemunho sobre a semana missionária em São Tomé. A verdade é que não tenho palavras que consigam descrever, de forma adequada, a magnitude do que sinto em relação a esta experiência. Todas as memórias que trago de lá são extremamente intensas a nível emocional. O local ficou gravado em mim — assim como as pessoas.
Julgávamos que iríamos para lá com o intuito de ajudar, dentro do possível. No entanto, quem saiu verdadeiramente enriquecido fomos nós. No fundo, ficou lá uma Marta, e voltou uma nova, que olha para o mundo — aquele que conhecia antes desta experiência — de forma completamente diferente.
As pessoas. São elas que surpreendem, que provocam a transcendência de todas as emoções que julgávamos conhecer. Um enorme obrigada ao senhor enfermeiro do lar Simoa Godinho, à diretora da instituição, às irmãs que nos acolheram da melhor forma possível e que nos mostraram o verdadeiro significado da solidariedade, abdicando da própria vida em prol dos outros, à dona Carmen, à Gilsa, à Jéssica e à Diane. Agradeço ainda a todas as pessoas que carimbaram o meu coração nesta experiência (e foram muitas), e a todas as crianças cujo olhar dizia mais do que mil palavras.
Os olhos daquelas crianças eram como espelhos da nossa presunção, ganância e arrogância, e, ao mesmo tempo, janelas abertas para o sofrimento que marcava o seu quotidiano.
Com tão pouco a nível material, com tanto trabalho árduo nas mãos e com tantas carências, o facto de continuarem a sorrir e com sorrisos tão lindos é, para nós, o derradeiro ensinamento.
Nós, eternos insatisfeitos, temos tanto a aprender: devemos aprender a contentar-nos com a vida que temos e procurar ser felizes com aquilo que somos e com o que temos.
Por fim, através do enfermeiro acima referido, compreendi quão importante é preservarmos e cuidarmos daqueles que nos ensinam e nos cuidam — porque um dia poderá ser nossa a missão de retribuir.
De coração quente e, ao mesmo tempo, inquieto, um até já, São Tomé!











